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6 de jul de 2016

Ela esperou demais


Você já reparou que toda a sua vida é regida por padrões e obrigações que o mundo lhe impõe?
Você nasce e já aos quatro anos é obrigado a ir para escola. Aí se passam treze anos e você se acha o máximo porque conseguiu a tão sonhada vaga em uma federal. Nesse meio tempo, aconteceu muitas coisas, seus pais se separaram ou moram juntos, mas nem conversam um com o outro. Muitos de seus colegas se perderam, outros foram embora e tantos mais não tiveram o luxo de chegar até aqui. Resolveram desembarcar no meio do caminho. Ok. Faculdade, quantos anos? Quatro, cinco ou seis. Ufa! TCC aprovado. Estou livre. Merd@ de curso que não consigo arranjar emprego. Aleluia! Dois anos e finalmente passei no concurso. Preciso ter minha casa e meu carro. Não, espera. Preciso casar. Mas tá difícil! Não existe ninguém que presta. Preciso arranjar alguém, não suporto a crise dos trinta. Vivaaaaa, estou casada, tenho um ótimo emprego, um bom companheiro e as crianças estão crescendo. Que orgulho, meus dois filhos formados. Ainda bem que a separação não afetou o estudo deles.
Hoje, já aposentada, sentada em sua cadeira de balanço, vendo seus netos brincarem no jardim ela se sente indiferente. Não sabe o que aconteceu. Houve alguma parte desse caminho em que se perdeu. Não sabe bem onde foi. Afinal, não era para ela se sentir realizada? Tem tudo que sempre sonhou. Tudo o que idealizou. Mas tudo o que sente é um vazio. Um nó na garganta. Como se tudo o que viveu tivesse sido apagado e restou apenas o arrependimento. Não arrependimento pelo que fez, mas pelo que deixou de fazer.
Ela se lembra que quando era jovem, queria sair dessa cidade, conhecer o mundo. Viver muitos amores. Mas isso não aconteceu. O comodismo a cegou. A ambição por bens materiais a quebrou. O dinheiro e o poder consumiram sua alma. Ela estava quebrada, e não sabia o motivo. Bem na verdade, ela sabia uma parte dele. A vida. A vida a havia quebrado. Suas escolhas a havia quebrado. Despedaçado. Feito em milhões de pedaços. Toda a sua vida foi uma grande mentira. Ela acreditava em algo impossível. Hoje, convive com os fantasmas do passado. Com os fantasmas dos e se? Com os fantasmas dos deveria ter feito isso, ou aquilo.
Ela percebeu, já tarde, que demorou demais para fazer o que precisava ser feito. Esperou demais para ler os livros, ouvir as músicas e conhecer pessoas que mudariam sua maneira de ver o mundo. Esperou demais para ser mãe de seus filhos pequenos. Esperou demais para amar e dizer eu te amo. Esperou demais para rir de si mesma. Esperou demais para ver que o futuro é uma grande ilusão. Esperou demais para sentir a vida. Esperou demais para viver o agora.  E de tanto esperar, acabou que chegou a vez dela desembarcar. Enfim, sua espera havia terminado. 



18 de abr de 2016

É preciso seguir em frente


                                                                                               Google Imagens

Benjamin foi uma pessoa incrível. Ele tentava viver todos os dias como se fosse o último. Fazia bem a todos e não se importava se diziam que ele era bobo ou algo do tipo. Tinha todos os sonhos do mundo dentro de si. Sonhava em ter um amor, mas tinha medo de amar. Sonhava em sair de sua cidade, mas tinha medo de arriscar. Sonhava em dizer não, mas tinha medo das pessoas. Sonhava com o silêncio, mas tinha medo da solidão.

Ele tinha um mundo dentro de si, um mundo que ninguém teve acesso. Um mundo que ele queria compartilhar com alguém. Mas ficou só no querer, porque por mais que ele tentou, não foi possível o amor. Para ele o amor se tornou uma ilusão. Acredito que para qualquer um que se entrega e é traído. Depois disso, ele nunca mais foi o mesmo. E foi então que ele percebeu que com a mesma capacidade que as pessoas tem de te fazer feliz, tem de te fazer sofrer. Essa foi uma das piores noites de sua vida, ele não conseguia lembrar dos bons momentos, porque mesmo que todos dizem que é preciso perdoar, ele não conseguiu. Era terrível demais.

Ele vivia com seus pais. Ele tinha tudo, mas nunca o suficiente. O seu tudo era sua família, mas infelizmente ele não conseguiu ver isso. Se tornou cego pela riqueza dos outros e se esqueceu de agradecer pelo que tinha.Muitos não conseguiam encarar seus olhos por muito tempo, tamanha dor que transparecia em seu olhar. Ele sempre foi o errado. Não importava quantas vezes ele tentava, quantas vezes ele explicava seu lado, ele sempre foi o bad guy.

Ele sempre quis se sentir livre. Talvez foi por isso que sua casa sempre parecia uma prisão. Com o passar do tempo tudo se tornou cinza e ele meio que enlouqueceu. Perdeu o contato com o mundo. Ficou muito difícil sobreviver. Ele não queria morrer. Só queria o silêncio, só queria acabar com a dor. Só queria acabar com as ilusões. Só queria acabar com sua tristeza sem explicação.

Foi quando ele decidiu aproveitar o caminho. Observou cada centímetro que seus olhos tocaram. Sorriu ao ver a felicidade de uma criança ao tomar sorvete. Ajudou uma senhora com as sacolas e seu agradecimento foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida em anos. O canto dos pássaros foi a mais sincera música que já havia escutado. O vento fazia carinho em seu rosto, foi então que ele abriu os braços e sentiu como se estivesse voando. Foi a única vez que sentiu a liberdade. A última coisa que ele se lembrou foi do choro de sua mãe. Mas ele não podia fazer nada.Era preciso seguir em frente. Sempre é.

4 de abr de 2016

Ela era...

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Ela era linda. Seus olhos cor de mel, com pintas pretas eram únicos. Sabe aquelas gargalhadas de mostrar ate os sisos? Sua marca registrada. Era calada na dela, mas quando pegava intimidade era a que mais falava bobagens. Tinha uma imaginação e tanto. Devorou tanto livros quanto pode. Assistiu mais filmes e séries que qualquer pessoa de sua idade. Era fanática por podcasts. Vivia pelos cantos em seu mundinho, dava bom dia a todos, sorria aos estranhos na rua, cantava sem medo do que os outros iriam achar de sua voz. Tinha o gosto musical mais estranho de todos. Somente quem a viu correr na chuva com o guarda chuva debaixo do braço sabe o que é sentir. E ela sentiu, sentiu mais do que todos. Sentiu a VIDA. Não importava o que era, felicidade, tristeza ou dor. Ela sempre acreditou que qualquer dor pode ser suportada enquanto é sentida. Ela não era só felicidade, as vezes durante o banho ou a noite, ela chorava tanto que qualquer pessoa que visse choraria com ela. Ela segurava o dia todo, tentava transparecer forte. Ria. Mas sabe aquela risada forçada e triste? Isso acontecia com ela com frequência, mas ela logo limpava as lágrimas e tentava cumprir seu propósito. Afinal, qual o sentido de tudo se ela não tocasse o coração das pessoas? E para tocar o coração das pessoas, ela precisava ser aquela que não se importava. Tinha tantos sonhos, tantos planos, tantos shows para ir, tantas músicas para escutar, tanto amor para dar. Mas descobriu que a vida é como um trem, sempre em movimento. Em algumas estações, seus passageiros precisam desembarcar. Seria maravilhoso se todos soubéssemos o dia que morreríamos, não seria? Assim ficaria mais fácil. Talvez assim, não acharíamos que temos todo o tempo do mundo.Talvez assim a eternidade não seria uma grande ilusão. De todas as coisas que ela fez em vida, apenas uma se arrependeu. E não foi o que ela fez, ela se arrependeu de uma que deixou de fazer. AMAR. Ela se arrependeu de não ter tido um amor, ela se arrependeu de todos os nãos que deu a favor dos estudos e da carreira, ela se arrependeu de todos os ficam para a próxima. Ela se arrependeu de não se dar a oportunidade de gostar de alguém. Se arrependeu dos padrões que exigia. Se arrependeu de escolher as pessoas pelo que tem e conquistou do que pelo que é. Hoje, em sua lápide está escrito:
"Aqui jaz alguém que morreu como viveu. Com medo. Medo de não poder realizar tudo o que quis."
E no fim, o que importa?

2 de abr de 2016

A vida é uma merd*?


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A vida é uma grande merda. Não tenho um carro do ano, não tenho casa, não tenho nada. Tenho um fusca velho caindo aos pedaços, moro de aluguel, sofro de rinite alérgica por causa da poeira que entra na casa todos os dias.
Não tenho amigos. Não tenho uma pessoa sequer para chamar de “amorzinho”. Sou um bosta. Não tenho diploma de universidade nenhuma. E, como vocês já devem saber, passo o dia todo reclamando. A grama do vizinho é sempre mais verde. A galinha, mais gorda. Além de tudo, sou invejosa.
Eu, no fundo, não consigo me animar com notícias de sucesso dos outros. Vivo me comparando com outras pessoas, exigindo o tempo todo que eu seja melhor do que elas. Ou, para ser mais sincera, que elas fracassem. Só assim mesmo para eu me sentir melhor.
Eu vivo reclamando. Não tenho gratidão por ninguém, nem mesmo quando me fazem favores inimagináveis. Sinto que é obrigação das pessoas me ajudarem. Em suma, não sou feliz.
E passo o dia todo tentando esquecer da minha infelicidade. Para isso, assisto à séries e leio livros. Posso dizer que sou feliz nesses poucos momentos. Mas, quando o livro acaba, a tela da série passa os últimos créditos, me lembro de quem sou. Me lembro dos meus infortúnios, das minhas preocupações, do meu estresse diário. E lembro, ainda, de coisas terríveis que fiz há anos, ou fico imaginando como será o futuro, e isso me sufoca tanto a ponto de mal conseguir respirar. Nesses momentos de ansiedade e sufocamento total, apenas uma coisa me aquieta por dentro: saber que tenho o poder de acabar com tudo isso. Eu sei que pode parecer egoísmo da minha parte, mas só de lembrar que eu tenho a opção da morte, que ela existe lá e eu posso usá-la como saída de emergência, já sinto minhas esperanças completamente renovadas.
Um dia desses, enquanto eu sentia a grama da praça nas minhas costas e braços, eu olhei para cima e vi. O que eu vi mudou tudo na minha vida. A Lua estava tão linda, e as estrelas, infinitas. O céu todo estava deslumbrante e também infinito. E foi aí que eu senti, pela primeira vez, parte de toda essa Criação. Essa criação que foi originada de uma sucessão incrível de acasos.
Eu me senti tão pequena e desprezível, um átomo dentro de um outro átomo, dentro de um Universo infinito e maravilhoso, que percebi que os meus problemas e as minhas preocupações não significam nada. Eu não significo nada. Sou apenas poeira de estrelas, apenas uma parte extremamente microscópica diante da imensidão do Universo.
E foi aí que pela primeira vez tudo mudou. Eu mudei.
** Texto publicado originalmente no site Medium no dia 16 de fevereiro desse ano.
Acesse a postagem original clicando aqui.

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Um pouco de realidade

Me diz por que você não consegue se arriscar? Quem ou o que te transformou? Será que foi essa rotina monótona que você vive reclamando, mas não faz nada para mudar? Ou talvez, a cidade onde você mora? Uma cidade morta, mas você continua aí, na mesma, sem coragem para arriscar e largar tudo em busca de um lugar que te faz bem. E aí? Vai continuar a viver com seus pais por quanto tempo mais? Sua alma continua gritando por aventuras? Por ir morar em república, conhecer novas pessoas, estudar em outra cidade? E por que não? Meu, isso vai te tornar uma pessoa incrível e madura que viveu mais experiências que qualquer outra da sua idade. Me diz quando foi que você esqueceu que tudo é possível? Cadê o brilho dos seus olhos? Quem apagou seus sonhos?
Mais um ano chegando ao fim e o que você fez esse ano? Sabia que a cada dia que passa você morre um pouco mais? É um dia a menos. Quando você vai perceber que está perdendo tempo? É realmente necessário dormir oito horas por noite? Você acredita mesmo que ver novelas vai te tornar um pouco mais humano? Que passar horas sentado na frente do computador fuçando nas timelines alheias vai te trazer a mulher da sua vida? Por Deus, será que essa pessoa já não passou por você e você nem se permitiu gostar?

14 de out de 2015

Vida após a morte?



Meu nome? Thaynara. Aposto que todos acham comum. Então, acrescento, Thaynara Melo. Ainda assim continua comum. E agora, para se tornar único no sentido de apenas uma ou duas, ou três pessoas no mundo serem chamadas assim, Thaynara Melo Moussa. Os nomes são apenas palavras que podem ou não ser vazias. Ser ou não ser vai depender da pessoa que carrega o nome. O meu, por exemplo, infelizmente ainda é vazio, já que não remete à uma pessoa importante que fez/faz algo que se eternizou na vida das pessoas. Agora, troquemos o Thaynara Melo Moussa por John Lennon. Sentiu algo diferente? Isso te fez lembrar grandes feitos? É claro que sim.

Hoje eu descobri algo que as pessoas talvez levam uma vida inteira para aprenderem: não importa quem sejamos, se nossos feitos são bons ou ruins, precisamos ser eternizados. Eu descobri que eu tenho que ser alguém que, mesmo depois de enterrada a vários palmos da terra, permanecerá de alguma forma viva. E no fundo eu sei que de uma  forma ou de outra continuaremos vivos, mas na forma de nutrientes e matéria orgânica e inorgânica que serão aproveitados por plantas e animais. Mas decidi que quero bem mais que isso. Quero, também, ser eternizada na mente [e no coração] das pessoas.

E não importa o que eu faça. Não importa se acrescentarei positividade ao mundo nem que farei totalmente o oposto disso. Eu só quero ser eternizada. Não é uma exigência tão grande assim, é? Quando eu morrer, não quero aquela coisa cliché de apenas família e pseudo-amigos fazendo atuação no velório. Eu quero atingir o máximo de pessoas possível, como o furacão Katrina, ou a bomba atômica little boy lançada em Hiroshima. É isso. Nossos feitos são como monumentos (retirado do livro Extraordinário, R. J. Palacio). Os meus feitos, bons ou ruins, me eternizarão, me farão ser lembrada. Mas, em vez de pedras, serão construídos de memórias.

O Gabriel Alves, um amigo meu que também escreve para esse blog, escreveu um texto intitulado Marca, que descreve exatamente o que eu sinto agora. Se eu seguir o ciclo, fazer tudo o que as pessoas acham que devem fazer, posso não conhecer a vitória nem a derrota, como disse Theodore Roosevelt em uma de suas célebres frases: "É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota." Ficarei no limbo, no meio disso tudo. Minha vidinha será, no mínimo, previsível. Sair do ensino médio, entrar numa universidade, terminar, fazer uma pós, arrumar um empreguinho. Mas, se eu decidir me arriscar, as possibilidades serão muitas. 

Eu quero ser um Charles Manson, um Beethoven, um Mozart, um Hank Williams, um Nelson Mandela, uma Skeeter Davis, um Stephen Hawking, um Steven Spielberg. Quero ser um Michelangelo, um Leonardo da Vinci, um Pedrinho Matador, uma Jane Austen, uma Sylvia Plath, um Osama Bin Laden, um Sirhan Sirhan, uma Malala Yousafzai. Mas, se eu conseguir ser eu mesma e ao mesmo tempo ser eternizada, então, meus caros, posso dizer que descobri o sentido da vida.
 Eu quero viver depois da morte. 


9 de set de 2015

Rotina



São 5:30 da manhã, e a cada minuto que escrevo, mais um minuto é acrescentado às horas. São 5:30 da manhã ainda, e o sol não apontou no horizonte, mas já se pode ouvir um buzinar aqui, um frear de caminhão ali, uma moto desesperada, uns pedestres atravessando a faixa. Despertos. E a cada minuto que se soma às horas, mais despertos ficam. Todos os dias são os mesmos, as horas se arrastando, as pessoas levantando de suas confortáveis (ou não) camas, tomando ou não seus cafés da manhã e seus banhos matinais e abrindo o portão para começar um novo e árduo dia de trabalho. Todo santo dia. Depois de horas, 10, 11, 12, horas, voltam para suas casas e fazem o que são supostas a fazer. A maioria reclama da rotina, da monotonia da vida, do desperdício do curto tempo que lhe foi concedido na Terra. Mas alguém, por acaso, já pensou em mudar? Alguém já sentiu-se farto de tudo isso e declarou jogar tudo pro ar, de uma vez?

Afinal, qual é o sentido da vida, se é que há algum? É trabalhar, dormir, trabalhar, dormir e trabalhar…..? Pra comprar uma casa melhor, uma mobília melhor, colocar os filhos numa escola melhor? E o que acontece depois, ao fim de todo o trabalho, dos 20,30 anos de trabalho? Aí chega a aposentadoria, mas agora já estamos cansados e velhos demais, com pouca energia demais para fazermos algo. E o quê? O que mais há para fazer? Que diabos é tudo isso e nada disso?

Agora são 5:40, o céu está de um tom cinza e um pássaro cujo nome não me recordo acabou de surgir de um dos galhos dessa grande árvore que margeia a rua. Grande é um conceito relativo. Por exemplo, o Pico da Ibituruna, em Governador Valadares, é grande com seus 1.123 metros de altitude. Mas, se comparado ao Monte Everest, com uma altitude de 8.848 metros, o Ibituruna não é grandes coisas assim.

Agora são 5:50, e os pássaros não só apontam nas copas das árvores como também gorjeiam. Um senhor com uma bicicleta velha e enferrujada, trajado de um uniforme azul anil, acabou de transitar a avenida. Mais veículos estão surgindo, e o barulho, o usual barulho da cidade acordada, agora já é mais audível.

São 6 horas da manhã, em ponto. O céu já está de um cinza mais claro, e posso dizer que o barulho na rua quadruplicou nos últimos 600 segundos. Os pássaros e os veículos já não sussurram, mas gritam, entoando, sincronizados, que o dia já vai começar, mesmo que para alguns já tenha começado há um tempo. (Interrupção para tomar o café).

Agora são 6:10 da manhã, o céu está de um cinza quase branco (ou de um branco quase cinza?), e as aves estão desesperadas, entoando, juntas, um farfalhar estridente e não sincronizado, enquanto ouve-se os veículos, apressados, transitando na avenida. E a vida segue, mesmo que muitos corpos, nesse exato minuto, estejam sendo enterrados a quatro ou mais palmos da terra. Mesmo que algum presidente em algum lugar no mundo tenha renunciado, que alguma criança tenha acabado de morrer de fome e desidratação, mesmo que um rio importante para a agricultura de um povo tenha mudado de curso, e mesmo que a seca em algum lugar tenha matado animais e causado queimadas. A vida segue mesmo que um homem-bomba tenha se explodido durante uma partida de críquete, vitimando inúmeras pessoas; mesmo que grandes nomes da literatura ou da ciência morram. E a vida segue mesmo que eu morra.
E quando Hazel Grace, em A culpa das Estrelas, diz ser uma granada que pode explodir a qualquer momento, ela não estava errada. Não precisamos ter um câncer para sermos como uma granada que pode explodir a qualquer momento, levando junto conosco as pessoas que amamos. Todos nós, sem exceção, somos granadas. E quem dera eu, um dia, poder desativá-la para sempre. Enquanto o dia de a minha granada explodir não chega, vou escrevendo e lendo mais um pouco, fazendo as coisas que faço repetidamente todos os dias. Afinal, a vida segue, e eu sou um marinheiro à deriva seguindo o curso dela.

E, enfim, amanheceu, e aquela estrela grande e amarela chamada Sol está apta a brilhar mais uma vez.
Amanhecer no Rio.
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31 de ago de 2015

UM TREM CHAMADO VIDA | Gabriel Alves



Acredito que um dos principais problemas do ser humano, é não valorizar aquilo que tem enquanto se tem. Geralmente, só notamos o quanto algo era precioso para nós quando já não está mais ao nosso alcance, e tudo o que temos a respeito deste são lembranças.

Recentemente, indaguei a um amigo a respeito disto. Estamos no último ano do Ensino Médio. Perguntei a ele se daqui a um ano, acreditava que ainda seríamos tão próximos quanto somos hoje. Sem hesitar, ele disse que não. Me afirmou que daqui a um ano ele provavelmente terá novas amizades, novas coisas para se fazer. Minha resposta foi simples. “Você precisa se desfazer de antigas amizades para fazer outras?”.

Acredito que cada momento é único e singular. Cada oportunidade de ser feliz que passa por nós, deveria ser agarrada com uma força imensa, afinal, a vida que temos não é eterna e a qualquer instante pode ser retirada de nós. Mas não é o que fazemos, rs. Em geral, pensamos, repensamos e listamos todos os contras. Insegurança. E quando já não temos mais a oportunidade ao nosso alcance, nos perguntamos o motivo pelo qual não a aproveitamos. O valor só vem quando perdemos – e o pior é que provavelmente nunca teremos tais oportunidades de novo.

Meu amigo não estava totalmente errado, embora eu não queira aceitar a ideia de perder amigos sinceros que hoje tenho comigo. A vida é semelhante a um trem. Entramos, nos sentamos rumo a um destino, e fazemos amizades ao longo do trajeto. Mas chega a hora de descer. Tudo o que quero agora, é aproveitar de todas as formas, o trajeto que estou percorrendo. Com os meus amigos. Com minha família. As oportunidades que tenho de crescer. De viver. De sorrir. De fazer alguém sorrir. Valorizar o momento enquanto eu ainda o tenho.

Daqui a um segundo, meu destino pode ser anunciado e terei de descer deste trem chamado vida.

Viva intensamente.

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TEXTO DE GABRIEL ALVES

27 de ago de 2015

A DETURPAÇÃO DA MENSAGEM REAL DE ''JOGOS VORAZES''





Estamos nos aproximando de Novembro, o mês em que (finalmente) poderemos ir às telonas e conferir a parte dois da adaptação do último livro da trilogia JOGOS VORAZES, de Suzanne Collins. Mas... notei recentemente uma certa deturpação que muitos de nós, fãs, leitores ou apenas pessoas que acompanham a série em geral, estamos trazendo à real mensagem passada pela autora em seus livros. Estaríamos nós, transformando uma das trilogias mais fantásticas (em termos de crítica social) já escritas, em algo vazio e sem contexto? Veremos.





O debate eterno gerado por fãs fanáticos sobre a vida amorosa da personagem principal, frequentemente têm sido um marco em grupos do facebook e etc. É inegável que tenha sim, um certo triângulo amoroso presente na trilogia, mas se notarmos bem, veremos que isto não se aplica a sequer um por cento do que a saga realmente passa. A crítica social às atitudes humanas para com o próximo, o meio ambiente, dentre outros quesitos, é o que Collins transmite nas páginas de sua obra (e digo isto me referindo aos três livros). Um olhar re repulsa a atos desumanos e desonestos é bombardeado com uma série de críticas feitas pela autora. Entretanto, não é a isto que estamos nos atentando. 


E isto não é o pior.
   
Hoje vi um vídeo no youtube, de uma certa vlogueira que falava a respeito deste assunto. Ela dizia que os poucos que conseguem enxergar a real mensagem transmitida pela autora nos livros (e também relativamente bem transmitida pela indústria cinematográfica através dos filmes) olham para o filme e enxergam basicamente três grupos de pessoas: Capital (vilã), Katniss (heroína) e os Distritos (vítimas). Tomados da emoção, nos enxergamos imediatamente como Katniss. O espírito de revolução. O adolescente nada conformista. O herói. Só não nos damos conta, que na verdade somos a Capital em toda esta história. Sim, a Capital. Os vilões. Surpresos? Não somos nós quem se preocupamos tanto com a aparência e estética pessoal e corporal? Não somos nós, quem nos conformamos com a desonestidade do Governo? Não somos eu e você quem adoramos sermos entretidos com brigas? Por acaso não seríamos aqueles que servem de espectadores para uma carnificina camuflada de reality shows? Ora, não sou eu e você que passamos pelo Centro da cidade e ignoramos o mendigo à margem da sociedade, a criança de rua, e a evidente desigualdade social?

Ué, e ainda nos enxergamos como Katniss?!


Temos sim o espírito de revolução em nós, basta alimentarmos a ele e fazemos com que seja despertado. Que possamos reacender e ficarmos atentos à real mensagem que JOGOS VORAZES traz para a sociedade e para todos, de modo geral. Enquanto alimentarmos nosso ego e nos enxergarmos como o herói revolucionário ao invés de encararmos nossa realidade e reconhecermos que nada somos além da Capital, nada vai mudar, e o cenário distópico que a saga têm, brevemente será o nosso cenário real. 



-Gabriel Alves.

31 de jul de 2015

Vida, perdas, sofrimento e amor

SobreVIVENDO


Hoje, há pouco menos de uma hora, senti o mundo natural e belo e incrivelmente monótono desabar sobre os meus pés. Uma sensação de que uma parte significativa de mim, senão o todo, havia desaparecido de forma repentina para todo o sempre. E eu me peguei absorta em inúmeros pensamentos. Eles eram terrivelmente assustadores, de se tirar o fôlego e o ânimo de viver. De se tirar a vida e desejar estar morto, porque estar morto é mais fácil do que continuar vivo. Quando se está vivo, qualquer ser humano enfrenta perdas inevitáveis. Porque a perda é parte natural da vida. E entende-se por parte natural da vida saber aceitar as perdas e continuar vivendo. Por que não é isso que todo mundo faz ou pelo menos tenta?
Mas quando a ideia de se estar perdendo algo surge, rompendo com o mundo natural que conhecemos e trazendo à tona uma realidade amarga, áspera e dura, o que desejamos é desistir. Desistir da nossa vida individual. Porque sabemos que aquilo que utilizávamos de âncora para continuarmos vivos já não existe mais. E sem a âncora, a alma flutua, perde o firmamento e os objetivos, se vê sem rumo e dolorosamente só. A âncora tem que existir para que a alma fique e continue lutando.
A sensação de perda é horrível. É algo que humanos feitos de pele e osso não conseguem suportar a princípio, e nem deveriam, por ser um sentimento mais forte do que qualquer corajoso que se diz imbatível. É um sentimento que abate, pisoteia, nocauteia e, por fim, destrói. E nos deixa tão revoltados e machucados, que mal conseguimos nos manter em pé. A gente desaba mesmo, no chão frio, em posição fetal, as lágrimas rolando pelo rosto. 
A gente chora convulsivamente.


O chão vira a nossa cama, os gritos estridentes de derrota, o nosso côro. Não há nada nem ninguém que seja capaz de nos trazer um pouco de paz, de conforto.
Os dias que se sucedem a perda são horríveis, mas não piores do que o momento da perda em si. As lutas são diárias. Ainda há estilhaços espalhados pelo chão, mas agora é impossível se reconstituir, voltar a ser o que era antes, porque os pedaços esparramados não podem mais se juntar. A gente fica diferente, o coração aperta. Mas aí o tempo passa, velhas memórias são substituídas por outras, vão se perdendo, tornando-se distantes. E o sentimento que tivéramos no momento da perda já não é mais o mesmo. Está mais suavizado, menos doloroso. E a verdade simples e pura é que o tempo não cura, como o senso comum comenta por aí; o tempo distorce ,imparcializa a memória, e com isso, atenua o sofrimento. Isso não quer dizer que o sofrimento some. Ele fica, em um lugar sempre disponível e de fácil acesso. Mas sofrimento devastador mesmo é aquele que causa remorso, que nos tira o ar e que nos pede que voltemos no tempo e façamos tudo diferente. Pra que ele nunca venha acometer-vos, meus caros, a receita é complicada e os ingredientes devem ser administrados diariamente. Eis o segredo: uma dose generosa de amor. Amor à pessoas que de fato amamos, principalmente, e àqueles que nem mesmo conhecemos. Além disso, é fundamental que demostremos. Seja com um beijo, um abraço apertado, pronunciando as três mais belas palavrinhas ou até mesmo com atos singelos. É importante, também, ficar colado à pessoa amada e lembrá-la sempre do quanto você a ama.
O segredo é amar e demonstrar.

17 de jul de 2015

Crescer na vida






Quem mais cresceu na vida: uma pessoa que mora numa casa de barro com teto de palha, que tira sustento da agricultura, ou uma pessoa que vive preocupada, cujo único objetivo na vida foi (e é) ganhar dinheiro, economizar dinheiro e adquirir bens materiais?
Se você respondeu que a segunda pessoa cresceu mais na vida, meu caro, a sua situação é dramática, e eu tenho pena de você.
Certa vez, quando eu estava passando por necessidades, recebi de uma pessoa que mal conhecia e mal sabia o nome, uma cesta básica que não era básica, era muito mais. Pra vocês terem ideia, tinha até toddynho, biscoitos (ou bolacha, seja como for), bolo e uma infinidade de guloseimas. Essa pessoa apenas ouviu a minha história uma única vez, e a humanidade, a sensibilidade, a generosidade e a compaixão, evidentemente corriam pelas veias dela.



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Por outro lado, havia uma pessoa não muito virtuosa. Essa pessoa trabalhava, é claro, porque ela adorava dinheiro e queria sempre mais. Cada vez que ela ganhava dinheiro, mais motivada a ganhar dinheiro ficava. Ela até cheirava as cédulas (as de 100, principalmente)! Mas era uma pessoa dura, amarga, mesquinha, que tinha dó do dinheiro do presente dado à um ente querido no dia de seu aniversário, mesmo tendo condições de sobra.
Também é engraçado como a classe média justifica a pobreza: “Fulano é pobre porque é vagabundo.” Não, meus caros, fulano não é pobre, materialmente falando, porque ele não trabalha. Ele trabalha mais que a classe média, pra receber bem menos do que ela! Olhe a seu redor o tanto de gente trabalhando das 7 às 20 para receber míseros 780 reais!
Por que será que as pessoas são tão materialistas? Por que a nossa vida gira em torno de conseguir dinheiro e bens terrenos, passando por cima de valores como a bondade, a generosidade e o amor? E pior, como podemos ser tão superficiais a ponto de considerarmos uma pessoa de posses mais bem sucedida do que os milhares de fulanos que vivem em casas de barro?
Viramos máquinas de fazer dinheiro, e enquanto máquinas, somos incapazes de sentir, de ter empatia pelo outro. E se a máquina é o bem de produção, e o dinheiro, o produto desse bem, não sobra nada além de escravidão.

                                     

2 de jun de 2015

MARCA (Texto de Gabriel Alves)

                                     GABRIEL A. PEREIRA

    A vida é de fato muito curiosa. Nascemos. E geralmente há uma festa quando isto ocorre – o que não faz muito sentido, já que nascem milhares de pessoas todos os dias. A questão é que então, somos criados, e educados segundo o que nossos responsáveis apontam como o melhor para nós – geralmente valores que adquiriram com seus pais, nossos avós. E em seguida, somos enviados a uma escola, a fim de aprender mais sobre o mundo em que vivemos – apesar de sairmos de lá sem conhecer um terço do que ele realmente é. Então, chegamos à adolescência, e nos afogamos em uma teia de dúvidas e incertezas a respeito do futuro. Em seguida, somos incentivados e impulsionados a buscar uma Faculdade, para adquirir um bom emprego, constituir família, e ter filhos. É aí que quero chegar: nossos filhos nascem, e então os educamos – com os valores adquiridos com nossos pais – e então os mandamos para uma escola, para que conheçam mais do mundo, e em seguida procurem uma Faculdade, para alcançarem um bom emprego, constituírem famílias, e terem filhos, e mandá-los para uma escola, e para uma Faculdade, para que construam famílias e tenham filhos... é um ciclo. Um padrão. E o problema é que nós nos conformamos em seguir este padrão, e viver de forma estática e monótona, assim como todos que nos precederam viveram também.
    Uma vez ou outra, porém, alguém resolve sair do ciclo, e se destacar. E então, quando isto ocorre, pessoas como estas deixam sua marca em alguém ou até mesmo no mundo, diferenciando-se das demais. Eu poderia elaborar uma lista de grandes nomes da história, que deixaram seu legado, mas enaltecer estas pessoas não é o foco aqui.
    Talvez, fugir do padrão e almejar algo melhor seja bom. Às vezes, querer apenas fugir daquilo que todos já fizeram, seja algo positivo. Busque motivação para marcar a vida de alguém. Marcar a história. Faça bom uso do tempo que lhe foi dado para vir à Terra, e não queira simplesmente viver o ciclo que a maioria que vieram antes de você viveu. Comece cada manhã pensando em construir sua história e marcar pessoas como se ao chegar a noite, os batimentos cardíacos lhe fossem tirados e tudo acabasse. Seja diferente. Marque. Almeje. Alcance. Faça sua história, e permita que ela deixe marcas.

    Permita que ela seja lembrada. 
 Mapa Literário