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3 de ago de 2017

Beleza

Amor,
sinto lhe dizer,
mas aos 35 poucos são bonitos.

A beleza se esvai,
se escorre pelo ralo
como um líquido.

Mas eu te juro, 
você é bonito,
e mesmo que a sua beleza escorra 
através do cano do tempo,
você continuará sendo.

18 de abr de 2016

É preciso seguir em frente


                                                                                               Google Imagens

Benjamin foi uma pessoa incrível. Ele tentava viver todos os dias como se fosse o último. Fazia bem a todos e não se importava se diziam que ele era bobo ou algo do tipo. Tinha todos os sonhos do mundo dentro de si. Sonhava em ter um amor, mas tinha medo de amar. Sonhava em sair de sua cidade, mas tinha medo de arriscar. Sonhava em dizer não, mas tinha medo das pessoas. Sonhava com o silêncio, mas tinha medo da solidão.

Ele tinha um mundo dentro de si, um mundo que ninguém teve acesso. Um mundo que ele queria compartilhar com alguém. Mas ficou só no querer, porque por mais que ele tentou, não foi possível o amor. Para ele o amor se tornou uma ilusão. Acredito que para qualquer um que se entrega e é traído. Depois disso, ele nunca mais foi o mesmo. E foi então que ele percebeu que com a mesma capacidade que as pessoas tem de te fazer feliz, tem de te fazer sofrer. Essa foi uma das piores noites de sua vida, ele não conseguia lembrar dos bons momentos, porque mesmo que todos dizem que é preciso perdoar, ele não conseguiu. Era terrível demais.

Ele vivia com seus pais. Ele tinha tudo, mas nunca o suficiente. O seu tudo era sua família, mas infelizmente ele não conseguiu ver isso. Se tornou cego pela riqueza dos outros e se esqueceu de agradecer pelo que tinha.Muitos não conseguiam encarar seus olhos por muito tempo, tamanha dor que transparecia em seu olhar. Ele sempre foi o errado. Não importava quantas vezes ele tentava, quantas vezes ele explicava seu lado, ele sempre foi o bad guy.

Ele sempre quis se sentir livre. Talvez foi por isso que sua casa sempre parecia uma prisão. Com o passar do tempo tudo se tornou cinza e ele meio que enlouqueceu. Perdeu o contato com o mundo. Ficou muito difícil sobreviver. Ele não queria morrer. Só queria o silêncio, só queria acabar com a dor. Só queria acabar com as ilusões. Só queria acabar com sua tristeza sem explicação.

Foi quando ele decidiu aproveitar o caminho. Observou cada centímetro que seus olhos tocaram. Sorriu ao ver a felicidade de uma criança ao tomar sorvete. Ajudou uma senhora com as sacolas e seu agradecimento foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida em anos. O canto dos pássaros foi a mais sincera música que já havia escutado. O vento fazia carinho em seu rosto, foi então que ele abriu os braços e sentiu como se estivesse voando. Foi a única vez que sentiu a liberdade. A última coisa que ele se lembrou foi do choro de sua mãe. Mas ele não podia fazer nada.Era preciso seguir em frente. Sempre é.

31 de jul de 2015

Vida, perdas, sofrimento e amor

SobreVIVENDO


Hoje, há pouco menos de uma hora, senti o mundo natural e belo e incrivelmente monótono desabar sobre os meus pés. Uma sensação de que uma parte significativa de mim, senão o todo, havia desaparecido de forma repentina para todo o sempre. E eu me peguei absorta em inúmeros pensamentos. Eles eram terrivelmente assustadores, de se tirar o fôlego e o ânimo de viver. De se tirar a vida e desejar estar morto, porque estar morto é mais fácil do que continuar vivo. Quando se está vivo, qualquer ser humano enfrenta perdas inevitáveis. Porque a perda é parte natural da vida. E entende-se por parte natural da vida saber aceitar as perdas e continuar vivendo. Por que não é isso que todo mundo faz ou pelo menos tenta?
Mas quando a ideia de se estar perdendo algo surge, rompendo com o mundo natural que conhecemos e trazendo à tona uma realidade amarga, áspera e dura, o que desejamos é desistir. Desistir da nossa vida individual. Porque sabemos que aquilo que utilizávamos de âncora para continuarmos vivos já não existe mais. E sem a âncora, a alma flutua, perde o firmamento e os objetivos, se vê sem rumo e dolorosamente só. A âncora tem que existir para que a alma fique e continue lutando.
A sensação de perda é horrível. É algo que humanos feitos de pele e osso não conseguem suportar a princípio, e nem deveriam, por ser um sentimento mais forte do que qualquer corajoso que se diz imbatível. É um sentimento que abate, pisoteia, nocauteia e, por fim, destrói. E nos deixa tão revoltados e machucados, que mal conseguimos nos manter em pé. A gente desaba mesmo, no chão frio, em posição fetal, as lágrimas rolando pelo rosto. 
A gente chora convulsivamente.


O chão vira a nossa cama, os gritos estridentes de derrota, o nosso côro. Não há nada nem ninguém que seja capaz de nos trazer um pouco de paz, de conforto.
Os dias que se sucedem a perda são horríveis, mas não piores do que o momento da perda em si. As lutas são diárias. Ainda há estilhaços espalhados pelo chão, mas agora é impossível se reconstituir, voltar a ser o que era antes, porque os pedaços esparramados não podem mais se juntar. A gente fica diferente, o coração aperta. Mas aí o tempo passa, velhas memórias são substituídas por outras, vão se perdendo, tornando-se distantes. E o sentimento que tivéramos no momento da perda já não é mais o mesmo. Está mais suavizado, menos doloroso. E a verdade simples e pura é que o tempo não cura, como o senso comum comenta por aí; o tempo distorce ,imparcializa a memória, e com isso, atenua o sofrimento. Isso não quer dizer que o sofrimento some. Ele fica, em um lugar sempre disponível e de fácil acesso. Mas sofrimento devastador mesmo é aquele que causa remorso, que nos tira o ar e que nos pede que voltemos no tempo e façamos tudo diferente. Pra que ele nunca venha acometer-vos, meus caros, a receita é complicada e os ingredientes devem ser administrados diariamente. Eis o segredo: uma dose generosa de amor. Amor à pessoas que de fato amamos, principalmente, e àqueles que nem mesmo conhecemos. Além disso, é fundamental que demostremos. Seja com um beijo, um abraço apertado, pronunciando as três mais belas palavrinhas ou até mesmo com atos singelos. É importante, também, ficar colado à pessoa amada e lembrá-la sempre do quanto você a ama.
O segredo é amar e demonstrar.

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