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6 de jul de 2016

Ela esperou demais


Você já reparou que toda a sua vida é regida por padrões e obrigações que o mundo lhe impõe?
Você nasce e já aos quatro anos é obrigado a ir para escola. Aí se passam treze anos e você se acha o máximo porque conseguiu a tão sonhada vaga em uma federal. Nesse meio tempo, aconteceu muitas coisas, seus pais se separaram ou moram juntos, mas nem conversam um com o outro. Muitos de seus colegas se perderam, outros foram embora e tantos mais não tiveram o luxo de chegar até aqui. Resolveram desembarcar no meio do caminho. Ok. Faculdade, quantos anos? Quatro, cinco ou seis. Ufa! TCC aprovado. Estou livre. Merd@ de curso que não consigo arranjar emprego. Aleluia! Dois anos e finalmente passei no concurso. Preciso ter minha casa e meu carro. Não, espera. Preciso casar. Mas tá difícil! Não existe ninguém que presta. Preciso arranjar alguém, não suporto a crise dos trinta. Vivaaaaa, estou casada, tenho um ótimo emprego, um bom companheiro e as crianças estão crescendo. Que orgulho, meus dois filhos formados. Ainda bem que a separação não afetou o estudo deles.
Hoje, já aposentada, sentada em sua cadeira de balanço, vendo seus netos brincarem no jardim ela se sente indiferente. Não sabe o que aconteceu. Houve alguma parte desse caminho em que se perdeu. Não sabe bem onde foi. Afinal, não era para ela se sentir realizada? Tem tudo que sempre sonhou. Tudo o que idealizou. Mas tudo o que sente é um vazio. Um nó na garganta. Como se tudo o que viveu tivesse sido apagado e restou apenas o arrependimento. Não arrependimento pelo que fez, mas pelo que deixou de fazer.
Ela se lembra que quando era jovem, queria sair dessa cidade, conhecer o mundo. Viver muitos amores. Mas isso não aconteceu. O comodismo a cegou. A ambição por bens materiais a quebrou. O dinheiro e o poder consumiram sua alma. Ela estava quebrada, e não sabia o motivo. Bem na verdade, ela sabia uma parte dele. A vida. A vida a havia quebrado. Suas escolhas a havia quebrado. Despedaçado. Feito em milhões de pedaços. Toda a sua vida foi uma grande mentira. Ela acreditava em algo impossível. Hoje, convive com os fantasmas do passado. Com os fantasmas dos e se? Com os fantasmas dos deveria ter feito isso, ou aquilo.
Ela percebeu, já tarde, que demorou demais para fazer o que precisava ser feito. Esperou demais para ler os livros, ouvir as músicas e conhecer pessoas que mudariam sua maneira de ver o mundo. Esperou demais para ser mãe de seus filhos pequenos. Esperou demais para amar e dizer eu te amo. Esperou demais para rir de si mesma. Esperou demais para ver que o futuro é uma grande ilusão. Esperou demais para sentir a vida. Esperou demais para viver o agora.  E de tanto esperar, acabou que chegou a vez dela desembarcar. Enfim, sua espera havia terminado. 



31 de ago de 2015

UM TREM CHAMADO VIDA | Gabriel Alves



Acredito que um dos principais problemas do ser humano, é não valorizar aquilo que tem enquanto se tem. Geralmente, só notamos o quanto algo era precioso para nós quando já não está mais ao nosso alcance, e tudo o que temos a respeito deste são lembranças.

Recentemente, indaguei a um amigo a respeito disto. Estamos no último ano do Ensino Médio. Perguntei a ele se daqui a um ano, acreditava que ainda seríamos tão próximos quanto somos hoje. Sem hesitar, ele disse que não. Me afirmou que daqui a um ano ele provavelmente terá novas amizades, novas coisas para se fazer. Minha resposta foi simples. “Você precisa se desfazer de antigas amizades para fazer outras?”.

Acredito que cada momento é único e singular. Cada oportunidade de ser feliz que passa por nós, deveria ser agarrada com uma força imensa, afinal, a vida que temos não é eterna e a qualquer instante pode ser retirada de nós. Mas não é o que fazemos, rs. Em geral, pensamos, repensamos e listamos todos os contras. Insegurança. E quando já não temos mais a oportunidade ao nosso alcance, nos perguntamos o motivo pelo qual não a aproveitamos. O valor só vem quando perdemos – e o pior é que provavelmente nunca teremos tais oportunidades de novo.

Meu amigo não estava totalmente errado, embora eu não queira aceitar a ideia de perder amigos sinceros que hoje tenho comigo. A vida é semelhante a um trem. Entramos, nos sentamos rumo a um destino, e fazemos amizades ao longo do trajeto. Mas chega a hora de descer. Tudo o que quero agora, é aproveitar de todas as formas, o trajeto que estou percorrendo. Com os meus amigos. Com minha família. As oportunidades que tenho de crescer. De viver. De sorrir. De fazer alguém sorrir. Valorizar o momento enquanto eu ainda o tenho.

Daqui a um segundo, meu destino pode ser anunciado e terei de descer deste trem chamado vida.

Viva intensamente.

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TEXTO DE GABRIEL ALVES
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